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Entrevista Wagner de Assis

Sobre o filme “A MENINA ÍNDIGO”

Peço que faça uma breve introdução pessoal, destacando seu papel como Diretor do filme.

Sou Wagner de Assis, carioca, casado, sou diretor e roteirista de cinema e tv - e produtor quando o momento pede. Tenho uma empresa, a Cinética Filmes, há 20 anos (quase um milagre para a realidade brasileira). Para mim, escrever e dirigir é contar a mesma história em momentos diferentes. Mas a história só se completa mesmo quando chega às telas e encontra o público. Essa Menina Índigo é assim. Viva, colorida e poética - num tempo difícil e com pessoas difíceis. Um choque de realidades que provoca renascimento.
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Como nasce o projeto do filme?

Há filmes que estão ali prontos para serem feitos, já impressos em livros ou histórias reais. Outros filmes te agarram pela relevância de suas histórias. Este projeto faz parte de um grande estudo e interesse em olhar os tempos atuais com novos olhos. Durante a pesquisa para esse longa, fizemos um documentário chamado Que Geração é Essa? - justamente porque é uma pergunta recorrente para todos. Este filme nasce de um interesse de falar destes novos tempos e contar a história de uma integrante desta nova geração. Não queremos fazer uma análise de cenário apenas ou defender uma tese, mas sim, a partir de alguma coisa nova, algo que nos impulsione recarregar nossa porção de esperança num presente e futuro melhores. Mesmo com tantas crises, principalmente a falência ética e moral de boa parte da nossa sociedade, temos que respirar fundo e prestar atenção no que vem por aí.  Torna-se fundamental então olhar nossas crianças com outro olhar - e não com aquele olhar paternalista e assistencialista do passado. Olhar e tomar atitudes vitais para que o mundo em que elas viverão - e no qual serão atuantes - possa passar por todas as necessárias transformações.  O interessante é que, quando fazemos esse exercício, e quando olhamos bem de perto a nova geração, somos compelidos a repensar tudo em relação ao assunto. Não só pelos nossos próprios erros como pais e educadores, mas também pelas condutas e valores e modelos envelhecidos, pelas instituições que precisam urgentemente ser modernizadas - desde a família à escola - passando também pelo que as próprias crianças apresentam: novas condutas, conhecimentos, formas de encarar tudo. Vivemos um momento singular e isso pede que mergulhemos nessas questões como nunca. Para, quem sabe, talvez sair desse mergulho com um mundo melhor sendo construído. 


O que são os índigos afinal? 

Em meados dos anos 80, uma psicóloga americana chamada Nancy Ann Tappe começou a perceber, através de uma capacidade que tinha de observação dos campos energéticos de seus pacientes, todos crianças, as mesmas colorações de suas auras - que variavam do azul claro ao azul índigo, com reflexos no lilás também. Daí nasceu um estudo que se expandiu e teve ressonância com outros profissionais que lidavam com crianças também. Todos apresentavam os mesmos problemas de relacionamentos com o mundo, as mesmas questões em relação ao conceito de normalidade, os mesmos conflitos com pais autoritários e insensíveis, e, também, a mesma forma de lidar com o conhecimento que vinha da escola. Eram hiperativos para determinadas coisas, tinham déficits para outras. Superdotados ou não, precisavam de atenção individualizada para serem criados. Começou-se, assim, a desenhar um perfil de uma nova geração quando as pesquisas - mesmo não reconhecidas pelas academias oficiais - reverberaram em outros países. Não só pelas cores das auras, mas principalmente pelos padrões dos comportamentos e dos problemas. Assim, para facilitar o entendimento do perfil dessas crianças, começaram a chamá-las de índigos - em função da cor de suas auras.  Nomes de gerações viraram coisa comum no pós-guerra e importam pouco - os mileniuns, baby boomers, os X, Y, Z, enfim, todos, na verdade, são apenas símbolos que representam um contexto geral. Mas conforme o tempo passou, esses perfis dos índigos começaram a aparecer em grande profusão. Descobriu-se que crianças com essas capacidades tão questionadoras e transformadoras ao mesmo tempo, com forças e princípios tão corretos, éticos e morais genuinamente, passaram a ser partes integrantes de várias sociedades. E os problemas também. Pode-se chamá-las de qualquer nome, mas não se pode negar que os tempos atuais produzem seres com capacidades e possibilidades nunca antes vistas na nossa sociedade. Pode-se até dizer que é a sociedade pós-moderna que possibilita a essas crianças serem assim - mas como os dias atuais são sombrios, como explicar que essas crianças tenham tanta humanidade, sensibilidade, senso de justiça e ética que independem do mundo que veem ao seu redor?  Atualmente, não é mais de um nicho que estamos falando, mas uma tendência mundial pelo que podemos perceber claramente. Temos que reaprender, assim como personagem do Ricardo, pai da menina índigo, a lidar com nossos filhos.  Há uma crise enorme sobre como lidar com nossas crianças. Pais, pedagogos, pediatras, psicólogos e até mesmo psiquiatras não se entendem em diversos aspectos.


- E o que fazer com os índigos?

Os que indicam supostos déficits - quando eles podem ser apenas formas de lidar com tantas informações? Com venda indiscriminada de calmantes para crianças? Com “terceirização” por parte dos pais da educação de seus filhos? Ou olhando para eles com novos olhares, oferecendo alternativas para seus crescimentos, aprendendo com seus potenciais, impondo os limites corretos para que eles não se excedam, educando, em última instância, de uma forma nova, com vertentes emocionais, espirituais e não como “crianças que precisam ser adultos de sucesso”.  Porque imagina uma criança com um potencial enorme sendo desperdiçado... Quanto isso pode ser prejudicial para ela e todos ao seu redor? Essa é a questão. Acredito que haja uma geração com mais potencial e evolução chegando ao Planeta sim, mas é fundamental saber educar e criar essa geração - porque senão eles podem não dar conta do projeto que trazem.


- Você saberia como identificar um índigo? 

Essa é ainda outra importante questão - a tendência dos pais a divinizar seus filhos, a achar que são gênios, que são melhores do que a média. Isso é a pior coisa que poderia acontecer a qualquer criança, inclusive para um índigo! Portanto, é preciso acima de tudo olhar as crianças como crianças e todo o processo de educação e cuidados precisa ser individual. Há crianças que precisam de um aparato medicamentoso? Certamente. Há outras que podem ser tratadas de formas alternativas, sem que precisem tomar uma droga tão forte quanto um calmante aos nove anos de idade, por exemplo? Também.  Claro que os índigos aos poucos são cada vez mais visíveis. Mas o papel deles na sociedade será quando crescerem. Ou seja, de nada adianta dizer que uma criança é índigo agora. Mas daqui a 10, 15 anos, veremos certamente o que já está pululando por todo o mundo - jovens com ideias e ideais capazes de melhorar nosso mundo, de nos dar exemplos e compartilharem conosco toda a bagagem que trouxeram quando nasceram.  O melhor a fazer agora antes de dizer que a criança é índigo ou não é justamente não tentar definir isso. Porque mesmo eles podem fracassar se forem mal tratados, deseducados, criados sem limites. Ou melhor, se eles forem criados assim, sabe-se lá a consequência de um ser com tanto potencial energético no mundo. Esse é o outro aspecto dessa questão. Muito cuidado com ele. 


- Como a história gostaria de encontrar seu público? 

Todo filme quer entreter, emocionar e fazer pensar. Este não é diferente. É feito para um público familiar porque traz em sua trama a história de uma família que está sendo recomposta deixando para trás valores e modelos de convivência e olhando para novidades que uma menina apresenta. A cura que a personagem provoca em todos, nesse sentido, é muito mais profunda do que apenas curar uma hérnia. Talvez seja essa cura que precisamos para nossa sociedade. E talvez o remédio seja esse mesmo - olhar nossas crianças com respeito e aprendizado, educá-los com amor de verdade e sem os nossos paradigmas prévios sobre educação e deixar depois que eles tomem conta do mundo.


Entrevista Murilo Rosa (ator, produtor associado).



- Quais as suas expectativas ao aceitar fazer este personagem? Como foram as filmagens em si? Foi possível retirar aprendizados desta história para sua vida pessoal?

Este assunto é de extrema relevância. O universo familiar me interessa e me emociona profundamente. O personagem é muito bem construído e que me dá possibilidades. Aliás, um grande personagem. As filmagens foram em um clima delicioso e o que vocês verão na tela é o que foi o set. Afeto puro, amor, carinho, atenção e sensibilidade. O nosso dia a dia era assim, coberto de alegria. Os aprendizados dessa experiência levarei pra sempre. Um deles é: Vale a pena lutar pela qualidade e estrutura de sua família. Se dedicar a ela é fundamental e inesquecível.


- Você também é pai. Quanto a sua relação pessoal ajudou na composição do personagem??

Sou pai de dois moleques lindos, levados e maravilhosos, rs. Amo muito ser pai. Eles me dão muita alegria e prazer. Levei, claro, esta experiência e este afeto para o set. Mas ter uma filha é bem diferente. Não sei explicar direito, mas é diferente. Eu vivi, verdadeiramente, a oportunidade de ser pai da Leticia no filme. Nos amamos muito e esse amor está lá, porque é real. Amo a família dela e sei o tanto que isso foi espontâneo e delicioso.


- Quais os temas do filme que você acha mais relevantes?

Tudo que envolve família é relevante. Todas as relações familiares, todos os problemas, as dúvidas, são fundamentais pra que a família seja baseada em amor. Como espera que as pessoas recebam o filme? Com amor, carinho e emoção. E que saiam do cinema com sentimento leve e a certeza de que ainda é tempo de construirmos uma sociedade melhor. Entrevista Fernanda Machado (atriz).


Entrevista Fernanda Machado (atriz). 



- Como foi o processo de composição desta personagem? 

Eu tentei entender melhor esse universo das crianças Índigo. Embora a minha personagem no começo do filme desconheça esse universo, achei que seria importante para eu saber do que estávamos falando. Li sobre o assunto, assisti alguns documentários que o Wagner, nosso diretor, nos sugeriu e foi maravilhoso descobrir esse mundo novo pra mim.  Depois tentei me colocar no lugar dessa mãe, que não sabe exatamente o que está acontecendo com a filha. Tentei encontrar o desespero dessa mãe que está super assustada e preocupada em ver que a filha é diferente, mas não sabe o que é exatamente esse "diferente" e não sabe como lidar com essa diferença. 


- Você estava grávida durante as filmagens. O quanto isso influenciou no trabalho?  

Foi incrível fazer o filme grávida, minhas emoções estavam super à flor da pele! E, na época, por um engano no ultrassom, eu passei o filme todo achando que estava grávida de uma menina, que se chamaria Sophia como a personagem da minha filha no filme. Foi muito louco passar o filme todo contracenado com uma filha Sofia e ter uma Sophia dentro da minha barriga. E quando o filme acabou descobri que na verdade estava grávida de um menino. O Wagner, nosso diretor, disse que o Lucca estava lá quietinho, fingindo ser Sophia pra que eu fizesse o filme com mais credibilidade! Rsrsrs


- Como você imagina que o filme encontre o público? Quais os temas acha que serão mais influentes?

Acho que muitos pais e mães se preocupam com o desenvolvimento dos filhos. Essa é uma preocupação muito comum, a gente fica o tempo todo se perguntando será que isso é normal?! Será que meu filho é normal?! Mas, afinal de contas, o que é normal?! Cada criança é única, cada criança tem sua personalidade, seu tempo próprio de desenvolvimento, e é preciso respeitar isso. Acho que o filme fala de um assunto muito importante também: sobre a facilidade com que às vezes as crianças são medicadas nos dias de hoje. O filme nos mostra como é importante respeitar a essência de cada criança! 


Entrevista Letícia Braga (atriz).



- A Menina Índigo foi seu primeiro trabalho praticamente. Como é começar logo como protagonista de um filme? 

Foi um desafio grande. Ser protagonista exige muito mais tempo e dedicação. Mais responsabilidade. Eu não tinha experiência e o ritmo do cinema é muito intenso. Mas eu tive uma equipe muito acolhedora. Todos eram muito pacientes e carinhosos comigo. Fernanda e Murilo eram verdadeiros pais e Wagner sempre me deu liberdade e confiou em mim. Sentia-me segura e isso fez toda a diferença.


- Quais os aspectos dessa personagem que te atraíram mais?  

Ela é muito empática (aprendi esse termo com o psicólogo). Ela acredita no amor e no poder do amor. Ela é sensível. Ela se expressa através da pintura e colore o mundo, e meio que resolve os problemas assim, através da arte.


- Como foram as filmagens pra você?

Foi um misto de diversão e cansaço. O bom é que estava nas férias. E como foi meu primeiro trabalho foi uma experiência incrível!


- Como você espera que o público receba a tua Sofia? 

Que receba ela com o mesmo amor que ela é. Ela é doce e forte. Intensa. Espero que as pessoas possam descobrir outras Sofias perto delas.


- Você conhece alguns índigos?  

Acho que não. Mas ainda ha muita confusão entre ser índigo e ser criativo, intenso, desobediente, tímido, incompreendido. Pode ter um índigo na minha escola ou na minha sala e eu não sei. As vezes nem a família sabe.


Trailer oficial A Menina Indigo

Produção Cinética Filmes, dia 12 de outubro nos cinemas ! Divulguem !

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